era pra ser engraçado, mas não gostei...rsrsrs
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCg9hKDxCfP6lqwyZoxIS8vralJbhFQzbq-L22Y69qdCdpgqY5I2cIaZvvEG83R3fqqPd9PLQx1DUmDtIrpQ_zl0LUuz6mSWdX2uN-942w_4miWrvtN9r-CgHz-M4YrARQ5dN6WAPxSrsZ/s1600-h/ce42be2390a2bc614b62d959b9a47fc2.png
sexta-feira, 11 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
Versos
"Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo, e
esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre
aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa
abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo, e
esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre
aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa
Impotência
Um dia desses ( terça-feira, 2 de março, 2011) eu passei mal e desmaiei na rua. Desse acontecimento, inúmeros questionamentos surgiram na minha cabeça...
A primeira coisa que eu pensei foi como deve ser desesperador você ser cego e surdo e ter que enfrentar sozinho as ruas, as pessoas, o trânsito, enfim, o mundo. Acredito que deve ser mais fácil para aqueles que já nasceram desse jeito, pois já nasceram condicionados, não sabem o que é ter a visão e a audição, assim deve ser mais fácil. Pior deve ser para aqueles que um dia enxergaram e ouviram e, de repente, este direito, dádiva e, por que não, maldição, lhes foi tirado... Deve ser extremamente revoltante a sensação de impotência.
Foi como me senti. Impotente. A sensação de ter as coisas fora do controle beira ao insuportável para mim. Não conseguir controlar os seus passos, o chão que não para de dançar com cores bizzaras que você sabe que não deveriam estar ali, a escuridão que de repente toma as rédeas, aquele zumbido que anula todos os outros sons do mundo e, de repente, te tiram o controle do seu corpo e você não tem mais noção de onde está e você perde a ciência, em um piscar de olhos, daquilo que você sempre teve a certeza de que estaria sob seu comando.
No entanto, pensei, que a parte física de estar impotente, não é nada comparada a experimentar esta impotência em relação aos seus sentimentos e aos acontecimentos da vida. Nada pior do que ter seus olhos físicos bem abertos, enxergando bem, quando você não consegue enxergar coisas que realmente importam, como as intenções das pessoas, por exemplo, ou quando você não consegue enxergar qual é o próximo passo, aquele que é o certo, aquele que você sabe que não vai te fazer tropeçar e cair em um abismo...sabe aquele passo que você tem certeza que é o único caminho correto? é insuportável você não conseguir enxergar este caminho.
É insuportável também você ter a audição perfeita, mas não conseguir diferenciar as verdades e as mentiras, o bom conselho do mau, a voz da razão e a voz do coração. Existe muito barulho, muitos ruídos e murmúrios e você não consegue ouvir com clareza o melhor caminho a seguir, o melhor conselho, a melhor decisão. É insuportável também não saber se deve-se ouvir a razão ou o coração. Acho que é melhor ser surda mesmo, sabe? Por momentos, preferia ouvir aquele zumbido eterno, ou o nada, do que ouvir toda essa poluição de vozes.
Acho que quando nos pegamos nesse choque de impotência em relação a própria vida, o corpo entra em choque e dá um reboot no sistema... reinicia tudo. Teu corpo só quer te salvar, mas tua mente e teus sentimentos não permitem... eles não são reiniciáveis.
Depois que acordei, meu corpo se decepcionou, não conseguiu resetar a loucura e continuou com essa amargura da indefinição, insegurança, impotência.. e a cada minuto que passa.. o corpo tenta apagar de novo, para tentar se salvar. Ele não entende essa loucura, somente percebe que algo não está bem. Não está como era antes.
Mas só quando a mente acalmar, só quandos os pensamentos e sentimentos se apaziguarem, que será possível viver em harmonia. Enquanto isso, continuo cega e surda para o mundo, pois não consigo ver, entender e diferenciar a verdade da mentira, os fatos, os argumentos, os sentimentos e as vontades.
E é disso que a vida é feita. Vários caminhos para escolher, cada um com sua consequência. Qual é o melhor caminho? Não me digam, pois não vou por aí até que meu coração e minha razão entrem em um consenso.
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
(JOSÉ RÉGIO, Poema Cântigo Negro)
A primeira coisa que eu pensei foi como deve ser desesperador você ser cego e surdo e ter que enfrentar sozinho as ruas, as pessoas, o trânsito, enfim, o mundo. Acredito que deve ser mais fácil para aqueles que já nasceram desse jeito, pois já nasceram condicionados, não sabem o que é ter a visão e a audição, assim deve ser mais fácil. Pior deve ser para aqueles que um dia enxergaram e ouviram e, de repente, este direito, dádiva e, por que não, maldição, lhes foi tirado... Deve ser extremamente revoltante a sensação de impotência.
Foi como me senti. Impotente. A sensação de ter as coisas fora do controle beira ao insuportável para mim. Não conseguir controlar os seus passos, o chão que não para de dançar com cores bizzaras que você sabe que não deveriam estar ali, a escuridão que de repente toma as rédeas, aquele zumbido que anula todos os outros sons do mundo e, de repente, te tiram o controle do seu corpo e você não tem mais noção de onde está e você perde a ciência, em um piscar de olhos, daquilo que você sempre teve a certeza de que estaria sob seu comando.
No entanto, pensei, que a parte física de estar impotente, não é nada comparada a experimentar esta impotência em relação aos seus sentimentos e aos acontecimentos da vida. Nada pior do que ter seus olhos físicos bem abertos, enxergando bem, quando você não consegue enxergar coisas que realmente importam, como as intenções das pessoas, por exemplo, ou quando você não consegue enxergar qual é o próximo passo, aquele que é o certo, aquele que você sabe que não vai te fazer tropeçar e cair em um abismo...sabe aquele passo que você tem certeza que é o único caminho correto? é insuportável você não conseguir enxergar este caminho.
É insuportável também você ter a audição perfeita, mas não conseguir diferenciar as verdades e as mentiras, o bom conselho do mau, a voz da razão e a voz do coração. Existe muito barulho, muitos ruídos e murmúrios e você não consegue ouvir com clareza o melhor caminho a seguir, o melhor conselho, a melhor decisão. É insuportável também não saber se deve-se ouvir a razão ou o coração. Acho que é melhor ser surda mesmo, sabe? Por momentos, preferia ouvir aquele zumbido eterno, ou o nada, do que ouvir toda essa poluição de vozes.
Acho que quando nos pegamos nesse choque de impotência em relação a própria vida, o corpo entra em choque e dá um reboot no sistema... reinicia tudo. Teu corpo só quer te salvar, mas tua mente e teus sentimentos não permitem... eles não são reiniciáveis.
Depois que acordei, meu corpo se decepcionou, não conseguiu resetar a loucura e continuou com essa amargura da indefinição, insegurança, impotência.. e a cada minuto que passa.. o corpo tenta apagar de novo, para tentar se salvar. Ele não entende essa loucura, somente percebe que algo não está bem. Não está como era antes.
Mas só quando a mente acalmar, só quandos os pensamentos e sentimentos se apaziguarem, que será possível viver em harmonia. Enquanto isso, continuo cega e surda para o mundo, pois não consigo ver, entender e diferenciar a verdade da mentira, os fatos, os argumentos, os sentimentos e as vontades.
E é disso que a vida é feita. Vários caminhos para escolher, cada um com sua consequência. Qual é o melhor caminho? Não me digam, pois não vou por aí até que meu coração e minha razão entrem em um consenso.
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
(JOSÉ RÉGIO, Poema Cântigo Negro)
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